A sociedade, as elites deste país, criminalizaram o movimento sindical, o MST e o Grito dos Excluídos. Criminalizaram a nossa luta. E é justamente por isso que, quando vejo alguém com a coragem de dizer “é o Grito dos Excluídos”, eu penso que precisamos afirmar: nós não somos invisíveis.
Nós somos, mas não podemos continuar sendo. Precisamos lutar muito para nos tornar visíveis.
Hoje, somos 35 milhões de aposentados. Se cada aposentado tiver mais uma pessoa ao seu lado, somos 70 milhões. Vocês têm ideia da força que isso representa? Nós podemos mudar o Presidente da República, podemos mudar o Congresso Nacional, podemos mudar o governo. Nós podemos mudar o país.
Mas, para isso, precisamos sair, precisamos botar para fora o que pensamos e o que queremos. Precisamos ir para a rua. Precisamos fazer assembleias com 8 mil, 10 mil pessoas. Precisamos mostrar: “Está aqui o povo aposentado. É esse pessoal aqui que vai ter que fazer alguma coisa.” E nós vamos ter que fazer, sim.
Quero lembrar um dado que considero muito importante, especialmente para aqueles que estão se preparando para as eleições. Na Constituinte de 1987 e 1988, foram convocados 559 constituintes. Uma parcela expressiva estava ligada ao capital, à gestão empresarial e aos grandes interesses econômicos. Havia grandes empresários, representantes do agronegócio, banqueiros.
E sabe quantos trabalhadores estavam lá?
Apenas 1%.
Essa foi a nossa participação na Constituição. Não havia um aposentado.
Eu me lembro de quem estava lá porque participei daquele processo, não como deputado, mas acompanhando de perto. Havia o Lula, o Paim, o Zé Dirceu e mais três ligados ao Movimento dos Sem Terra. Foi essa a participação dos trabalhadores em uma Constituinte com 559 pessoas.
Não tinha um aposentado.
E agora estamos caminhando para novas eleições. E eu digo com toda sinceridade: eu ainda não vi um candidato que nos represente. Não vi.
Por isso, é preciso muito cuidado na hora de votar.
As elites têm tudo neste país. Nós, muitas vezes, somos tratados como aquilo que restou, como o resto do que sobrou. E é justamente por isso que não podemos perder as oportunidades que temos.
O voto é uma dessas oportunidades. A organização é outra. A mobilização é outra.
Nós precisamos deixar de ser invisíveis. Precisamos ocupar o nosso espaço, mostrar a nossa força e entender que, unidos, somos milhões.
E milhões de brasileiros não podem ser tratados como invisíveis.
Antonio Rogério Magri – Presidente da AEASP

