Como uma mentira pode criar problemas para um país.
Se nós pegarmos a história do Brasil, vamos encontrar exemplos disso. Marechal Deodoro, adoentado, estava na casa dele. E existe uma história envolvendo um capitão chamado Mourão — não sei nem se é parente desse Mourão que conhecemos hoje — que fez uma carta mentirosa.
Essa carta dizia que Dom Pedro II, que era o monarca, iria trocar o Barão de Ouro Preto por outro ministro, envolvendo uma questão pessoal, um desafeto e até um suposto caso amoroso. Essa história chegou a Marechal Deodoro.
E o que fez Marechal Deodoro?
Revoltou-se. Pegou o Exército, sem a população, sem ninguém ao seu lado, e proclamou a República.
E aí está uma coisa importante: uma mentira pode mudar a história de um país.
Marechal Deodoro era monarquista. E nós estamos vivendo hoje um momento difícil porque não sabemos mais em quem acreditar.
Você olha a televisão e vê uma coisa. Olha outro canal e vê outra coisa. Vai para outro lugar e vê outra versão. É preciso ter cuidado. Muito cuidado.
Quando nós olhamos para a história, percebemos que muitas vezes a sociedade não participou dos acontecimentos da forma como imaginamos.
Lembram do quadro da Independência ou Morte? Aquele quadro bonito, que todo mundo tem na cabeça? Dom Pedro I, os cavalos, aquela cena toda.
Mas não era daquele jeito. Não eram aqueles cavalos bonitos. Não tinha cavalo que subisse a serra daquela maneira. Eram burros que estavam ali.
E onde estava a sociedade?
Cadê o povo?
Se vocês olharem o quadro, do lado esquerdo existe um carroceiro negro com seis bois. É ali que está o povo.
É assim que nós somos tratados. Dessa forma somos tratados: alienados o tempo todo.
Por isso nós temos que ter cuidado na hora de votar. Temos que ter cuidado na hora de colocar o nosso voto.
E eu quero chamar a atenção para uma questão muito importante.
Rogério Marinho, que está fazendo o programa de governo do Flávio Bolsonaro, diz que não precisa de sindicato. Diz que o mercado se autorregula e fala em livre negociação.
Mas eu pergunto: qual é a livre negociação que eles querem?
Sabe qual é?
O patrão entra com o pé e nós entramos com a bunda.
É isso que eles querem?
É isso que vai acontecer.
Antonio Rogério Magri
Presidente da AEASP e ex-ministro do Trabalho

