Envelhecer no Brasil está cada dia mais difícil. Faltam políticas públicas que ofereçam qualidade de vida, a aposentadoria está mais difícil e o custo de vida mais alto no País. E a tendência para os próximos anos é o aumento da participação de pessoas com idade superior aos 50 anos no mercado de trabalho. Isso porque a população brasileira está envelhecendo. E rápido.
Proporcionar um envelhecimento saudável resulta naquele idoso que, apesar de ter alguma doença, é independente, autônomo, toma decisões, participa da sociedade e ainda tem um propósito de vida.
De acordo com o IBGE, no Brasil já ultrapassa 30 milhões o número de pessoas acima dos 60 anos de idade. A expectativa é que, a partir de 2039, o País tenha mais pessoas idosas do que crianças na sua configuração populacional.
A Organização Mundial de Saúde estima que em 35 anos um em cada três brasileiros seja idoso. De acordo com relatório divulgado, até 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos no mundo vai duplicar. E, no Brasil, este número vai triplicar. O país poderá ter a sexta população mais idosa do planeta, ou seja, seremos considerados uma nação envelhecida, de acordo com classificação da OMS, que atualmente é dada para países como França, Inglaterra e Canadá.
E este envelhecimento da população brasileira pesa na hora da contratação e demissão. De acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em 2022, Rio Preto seguiu a tendência nacional e teve mais pessoas demitidas do que contratadas acima dos 65 anos. Entre janeiro e dezembro, foram 278 contratados, enquanto o número de demitidos foi de 453. Saldo negativo de 175 trabalhadores. Em Rio Preto, os setores que mais empregam idosos são o de serviços, comércio e administrativos.
Aos 63 anos, Gilberto parecido Altomani conseguiu um novo trabalho em Rio Preto, há dois meses, como consultor imobiliário. “Após ter me aposentado, resolvi que talvez poderia retornar ao mercado de trabalho, pois tenho muito conhecimento técnico e operacional, bem como um currículo bem estruturado, por formação intelectual acumulada durante todos esses anos de trabalho, mas infelizmente encontrei muita dificuldade”, revela Altomani.
Ele perdeu o emprego após trabalhar 24 anos na mesma empresa. Ao todo, foram 42 anos de trabalho com registro. Aposentado e após quase um ano e meio fora do mercado, Gilberto resolveu que precisava de um novo emprego.
“Neste país não é possível ter um padrão de vida bom somente com aposentadoria por tempo de serviço no setor privado. Além disso, sabemos que nem todos que se aposentam conseguiram fazer investimentos ou acumular patrimônio suficiente durante o tempo em que estavam na ativa. Então, temos que buscar alternativas que estejam dentro das possibilidades de cada um. Quem fica desempregado alguns meses, se sente inútil, muito mal”, comenta.
Apesar do resultado positivo para Gilberto, poucas empresas no Brasil abrem espaço para profissionais maduro. É o que revela a pesquisa Etarismo, realizada pela Vagas.com, Colettivo e Talento Sênior. O levantamento mostra que um em cada quatro profissionais já foi demitido por ser considerado “muito velho”. De acordo com a pesquisa, 24% dos trabalhadores perderam seus empregos por esse motivo.
Realizada em agosto deste ano, a pesquisa foi feita por meio da plataforma Vagas.com com a participação de 252 profissionais de Recursos Humanos. O levantamento mostra ainda que uma em cada cinco empresas respondentes (21%) considera eliminar candidatos mais velhos por conta da idade no momento da contratação, enquanto 79% foram contrários.
“Mesmo tendo anos de experiência, encontrei muita dificuldade para voltar ao mercado. Percebo que existe muita propaganda, mas vejo que, na prática, a maioria das empresas não admite em seus quadros de trabalho pessoas com mais de 50 anos, com algumas exceções, é claro”, diz Gilberto.
Empresas devem se preparar
De olho no futuro, empresas devem se preparar para ter em seu quadro funcionários maduros, tendo em vista o envelhecimento inevitável da população brasileira. E, por outro lado, profissionais devem se manter atualizados.
“Os profissionais maduros possuem bons conhecimentos e experiências que podem ajudar e agregar nos processos da empresa, auxiliando no desenvolvimento de equipe mais jovens. Além disso, possuem certa maturidade e responsabilidade, podendo atuar com mais autonomia nas tarefas. Demonstram ser comprometidos com a empresa, têm mais estabilidade, se mantendo por mais tempo na empresa”, afirma Ellen Anholeto, especialista em gestão de pessoas.
Ellen revela que os principais desafios enfrentados pelos profissionais maduros na hora de conseguir se recolocar no mercado de trabalho são a proximidade com a aposentadoria, incompatibilidades salariais – aqueles profissionais que buscam salários mais altos – e falta de conhecimento em tecnologia e inovação.
“Um dos principais fatores para conseguir colocação depois dos 50 anos é se manter atualizado em relação à tecnologia e as inovações de mercado, acompanhar grupos de networking para manter as boas relações, participar de cursos, palestras, mantendo sempre o currículo atualizado. Em caso de muita dificuldade, vale buscar empresas especializadas em recolocação profissional. Também sugiro que se mantenha em evidência nas redes sociais, como Linkedin e faça cadastro em empresas de interesse”, diz a especialista.